
Publicado em 27 de setembro de 2026 às 11:00 · OAB/SP 388441 · 3 min de leitura
Imagem: Gerald England, licença CC BY-SA.
Imagem: Agustín Casasola, licença CC BY-SA.
O cenário político brasileiro frequentemente se entrelaça com manifestações culturais e religiosas, gerando debates intensos sobre os limites da liberdade de expressão. Recentemente, a utilização de símbolos religiosos em disputas políticas evidenciou a complexidade de equilibrar o direito de manifestação com a proteção da honra e a preservação do respeito aos valores de fé. No âmbito do Direito Civil, essa questão não é apenas política, mas jurídica, envolvendo conceitos fundamentais de responsabilidade civil e direitos da personalidade. A liberdade de expressão é um pilar da democracia, garantindo que cidadãos e figuras públicas possam manifestar suas opiniões, crenças e críticas. Contudo, esse direito não é absoluto. Ele encontra limites claros na proteção de outros direitos fundamentais, como a honra, a imagem e a dignidade das pessoas, bem como o respeito aos símbolos que possuem significado coletivo e religioso. Quando um símbolo religioso é utilizado de forma que possa ser interpretada como desrespeitosa, ou quando a sua apropriação gera danos à imagem de terceiros ou de instituições, abre-se espaço para a análise de responsabilidade civil. A responsabilidade civil, no Direito Brasileiro, baseia-se na premissa de que aquele que causa dano a outrem, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, é obrigado a repará-lo. No contexto de debates públicos, o dano pode ser de natureza moral, quando a conduta atinge a honra subjetiva ou objetiva de indivíduos ou grupos. O uso indevido de símbolos de fé pode, em determinadas circunstâncias, configurar abuso de direito, quando o exercício de uma prerrogativa — a liberdade de expressão — excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim social ou pela boa-fé. É importante destacar que o Direito Civil não busca censurar o debate, mas garantir que ele ocorra dentro de parâmetros que preservem a convivência social. A jurisprudência brasileira tem sido cautelosa ao tratar desses temas, buscando sempre o equilíbrio entre a proteção da liberdade de manifestação e a vedação ao discurso de ódio ou à profanação de símbolos que possuem valor imaterial para uma parcela significativa da população. Além disso, a questão da responsabilidade civil também se estende ao uso da imagem. A utilização da imagem de terceiros ou de símbolos associados a grupos sem a devida autorização ou com o intuito de gerar descrédito pode ensejar pedidos de reparação. O cidadão deve estar atento a esses limites, compreendendo que a participação no debate público, embora seja um direito, carrega consigo o dever de responsabilidade. Em suma, o debate sobre símbolos religiosos na política é um lembrete de que a liberdade de expressão deve ser exercida com prudência. O Direito Civil oferece as ferramentas necessárias para mediar conflitos, garantindo que o debate público permaneça um espaço de troca de ideias e não de violação de direitos fundamentais. A busca pela harmonia social depende, em última análise, do respeito mútuo e da compreensão de que, em uma sociedade plural, a liberdade de um termina onde começa o direito do outro.
Fontes consultadas
- BBC: Por que polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida entrou na disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula pela Presidência
- CNN Brasil: Em meio à polêmica, comício de Lula tem música de Nossa Senhora
- Brasil 247: Flávio Bolsonaro pede prisão de funcionário do Planalto após polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida
- Metrópoles: Alckmin comenta polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e Flávio
Conteúdo informativo e geral. A análise de cada caso depende de suas circunstâncias e não há garantia de resultado.